18 outubro 2017

Resenha #118 - Samhain

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Livro cedido para resenha em parceria com  autora. Todas as opiniões aqui presentes são minhas, sem interferências, na tentativa de passar a vocês o que senti ao longo da leitura.
Caso você não conheça o livro, recomendo que leia a resenha do primeiro volume aqui. PODE CONTER SPOILERS DO LIVRO I


Brasil, 1690. Ao pisar numa nova terra, Daniele sabe que sua missão está apenas começando. Entretanto, a perseguição sofrida por sua mãe e sua avó chega através do braço da inquisição e seus representantes, obrigando-a a enfrentar novamente a intolerância. Para isso, terá que manter a força das Filhas de Dana, mas será que está preparada para abrir mão de alguém que muito ama para que o destino se cumpra?
A Igreja lhe tirou a família.A Deusa a lançou ao mar.O destino fará seu coração sangrar.


Depois de fugirem de Portugal, Daniele, Matheus e Antônio finalmente chegam ao Brasil. Daniele, com a gravidez já avançada, é ajudada por todos, graças aos pedidos de dona Olímpia, esposa do novo patrão de Antônio, Amâncio. Assim que pisam em terra firme, encontram um padre que está ali para dar a benção aos que chegam. Quando vê Daniele, ele desconfia de sua fé, que ela aprendeu a fingir desde pequena. Aparentemente, a perseguição continuará na nova terra.
"Ainda não compreendia por que aqueles que se chamavam de homens de Deus os perseguiam tanto." Pág 19 
Esse segundo livro é ainda mais empolgante que o primeiro. Foi lindo ver um Brasil cheio de mata virgem, mas foi muito triste ver um Brasil cheio de escravos e de nativos que tem que se esconder de todos. Essa é uma parte muito feia da nossa história que, infelizmente, não poderemos apagar.
Enfim, sobre a história da nossa linda Daniele. Pouco tempo depois de chegarem a fazenda santa Tereza, sua filha nasce. Dona Olímpia insiste que eles sejam os padrinhos da menina e que ela se chame Tereza, sua santa de devoção. Mesmo querendo, Daniele não pode negar. Graças a Bashiri, a negra que faz seu parto, ela consegue apresentar sua filha para a Deusa e para a lua, banhando-a nas águas do rio. Bashiri sente imediatamente uma forte conexão com Daniele, graças as suas crenças. Para permitir essa apresentação, Dona Olímpia exige que Tereza se case com seu desagradável filho, Henrique, quando ela chegar a idade de se casar. Muito a contra gosto, Antônio concede.
Não muito tempo depois, o casal tem mais um filho, um menino, e o chamam de Antônio, ou Antoninho. Uma criança doce. 
Se de um lado Daniele ensina a sua filha a adorar a natureza e fazer oferendas no rio, do outro Dona Olímpia a ensina rezar para a virgem Maria. A menina aprende ambas as crenças e é ai que eu vejo a maior beleza do livro todo. Para acreditarmos em um, não precisamos diminuir a crença do outro. Podemos até mesmo acreditar em ambos. Se parar pra pesquisar e pensar, a maior parte dos deuses parecem entre si. Faça essa comparação. O que muda é o nome e alguns poucos traços de personalidade. 

Enfim. Vamos falar sobre o que achei do livro que é pra isso que estamos aqui, né?

Como eu disse no início, esse livro tem muita ação, mas tipo, muita mesmo. Ele nos mostra bem como foi o Brasil colônia, com muitos trabalhadores escravos, muito branco achando que pode fazer o que quiser, branco que tá nem ai pra sua cor e trabalha pra se sentir bem. E gente como linda Tereza, que não entende como a cor de alguém e sua crença pode ser algo tão importante assim. eu sou desse time ai.
O senhor Amâncio é um fazendeiro, dono de escravos, mas um tanto quanto diferente dos demais, posso assim dizer. Ele não é de castigar os negros e permite que eles celebrem seus deuses. Ele diz que assim eles trabalham mais felizes. E eu imagino que seja verdade. Imagina você ser proibido de adorar seu deus, seja ele qual for? Complicado, né?
O foco nesse livro é na Daniele, Antônio, Mateus, Tereza e Antoninho. Acho que até mais na Tereza e na relação dela com as pessoas que ela chama de avós, Olímpia e Amâncio. E, novamente, é uma história sobre perseguição e intolerância. Essa trilogia me tocou tanto principalmente por esses tópicos. Eu acho que já falei isso aqui algumas vezes. Eu fui criada na Igreja Católica, mas acho que eu não me identifico com muita coisa que é dita dentro da igreja, sabe? E muito menos com pessoas que passam a tarde toda na igreja e saem de lá falando mal de todo mundo e fazendo coisas nada religiosas. Isso é hipocrisia de mais pro meu gosto e decidi que minha religião é o amor, a empatia, a tolerância. Agradecer pelo Sol, pela chuva, pela Lua e pelas estrelas.
"Ela falava de um sentimento maior que ele não conseguia compreender por conta daquela amargura que o perseguia." Pág. 154
Voltando. Tem uma reviravolta muito louca nesse livro que eu não posso falar porque, pra mim pelo menos, foi muito intenso ler essa parte sem saber o que estava acontecendo. Essa é uma característica da Simone. Quando tudo tá indo bem e dando certo, ela vai lá, joga uma bomba e sai correndo. Eu a amo e a odeio por isso. E, novamente, quando tudo tá se ajeitando de novo, ela apronta outra reviravolta toda doida que funciona muito bem. 
Tem muitas perdas dolorosas aqui. Eu ainda não sei se perdoei a Simone por algumas das coisas que ela fez, mas enfim né. Sim, eu sei que é apenas um livro e que as personagens não existem, mas quando você está lendo, elas se tornam real, pra mim pelo menos. Eu sonhei com essa história por tantas vezes que posso facilmente ter vivido nessa época e ter sido uma dessas pessoas. Acho que fui Daniele.
Assim como o primeiro livro, eu não indico esse para  todos. Pra ler essa história, você tem que estar com o coração aberto para o novo. Guarde todos seus preconceitos em uma caixinha (aproveita que eles tão na caixinha  e joga fora) e leia de coração, prestando atenção, tentando fazer parte daquele povo. Viva naquele período. Tente imaginar como foi. Se permita essa experiência. Assim, você irá apreciar a obra e entender toda a beleza presente nesse livro.

Ficha Técnica...

Título: Samhain
Autora: Simone O. Marques
Editora Alfabeto
262 páginas
Ano 2015
Nota: 4.5
Nota no Skoob: 4.4

Quote escolhida para o projeto Poteando Quotes


 

Fazenda Santa Tereza, 1693



Concluindo: Ele cumpre perfeitamente bem seu papel de segundo livro, ao continuar o primeiro e chamar atenção para o terceiro. Novamente, personagens maravilhosos. Uma história eletrizante que você não consegue se desligar. Até quando fecha o livro, continua vivendo com eles.

4 comentários:

  1. Gostei tanto da capa desse livro, a história parece ser bem envolvente! ❤

    www.kailagarcia.com

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    Respostas
    1. Oi Kaila
      Essa trilogia toda é maravilhosa, menina
      Beijos

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  2. Nossa, quando eu estou lendo os personagens se tornam muito reais pra mim também rs Gostei de saber que esse livro tem muita emoção.

    www.vestindoideias.com

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    Respostas
    1. Eu fiquei viciada nessa história. Estou recomendando pra todo mundo.

      Excluir

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